Quando eu vi o fim de perto – doente e sozinha na Ásia

Que difícil que é ficar doente é não ter quem cuide de você. Doente mesmo, com febre alta e sendo levada às pressas para internação no hospital sem saber o que se tem.

Eu tinha começado a trabalhar em Cingapura há um mês apenas, tinha alugado um quarto na casa de um casal há 3 semanas. Certo final de semana comecei a me sentir mal e não sabia bem o que era. Passei o dia muito mal no trabalho, com frio, cansada e mole, pensei: essa gripe me pegou de jeito.

 

Quando cheguei em casa fui direto me deitar e me cobrir com o edredom, isso nos 30 graus de Cingapura. Sozinha e assustada. Eu me tremia como nunca havia pensado ser possível. Lembro que gravei uns áudios e mandei pra minha amiga médica lá no Brasil pedindo ajuda e também para a dona da casa onde eu morava, Glória. Pelo meu tom de voz elas iriam saber que algo grave estava acontecendo. Não sei quanto tempo se passou depois disso, só sei que tinha apagado e acordei com Glória entrando no meu quarto e perguntando: “Qual o problema?” eu respondi “não sei”.

 

A essa altura eu nem lembrava mais o que estava acontecendo comigo, ela percebeu que eu tinha febre e me jogou debaixo do chuveiro. Depois disso ela aferiu minha temperatura: 44 graus de febre! 44! Imediatamente ela disse que eu precisava ir ao hospital.

 

Nesse tempo esperamos o carro chegar e caí na real e percebi o que estava acontecendo comigo: meu corpo estava inchando. Meus joelhos já não podiam mais ser vistos, minha coxa estava inchada e crescendo ao redor deles. Eu percebia meu coração batendo muito forte e “quente”, então tive certeza que estava infartando. Mais uma vez senti o peso de estar só. Queria minha família. Eu estava morrendo e não ia dar tempo de chegar ao hospital.

 

No caminho para o hospital pude sentir o ar ficando bem rarefeito, meu peito doía, eu já não conseguia sentir todas as partes do meu corpo. Tive certeza que meu fim estava bem próximo. No hospital cheguei e fui levada direto para os leitos da emergência.

 

Lá dentro eu estava bem zonza, sem muitos sentidos. Tentei explicar o que estava sentindo mas minha cabeça insistia em falar português. Me deram algumas injeções que não vou saber dizer para que eram, mas a pior parte estava por vir: uma das enfermeiras escreveu no meu punho, a data com um hidrocor. Escreveu bem ao lado da minha tatuagem que diz “Viva”. Pensei: que ironia, a data da morte ao lado do meu “Viva”. 

 

 

Entendi que ia morrer pois meu corpo continuou inchando, dessa vez foram meus braços e dedos. A respiração melhorou. Pedi papel e caneta. Não conseguia segurar bem a caneta mas escrevi zilhões de orientações para Glória, de como destravar meu celular, e para quais contatos ela deveria mandar mensagens. Escrevi o que fazer com meu dinheiro no banco e também para onde enviar minhas roupas. Não conseguia lembrar meu endereço no Brasil, o endereço que tive desde pequena, eu sei que eu sabia mas não conseguia lembrar. Sabia que estava piorando e minha hora estava chegando. Por último, escrevi uma carta de despedida para meus pais, o que guardo até hoje.

 

Depois apenas parei e comecei a analisar minha vida. Engraçado que dizem que as pessoas fazem essa retrospectiva no momento da morte não é? Já não tinha medo das dores ou da falência do corpo, eu estava apenas esperando. Eu não estava feliz, sozinha no meio da Ásia, morrendo num hospital onde ninguém nem falava minha língua. Lembrei de quando era criança, lembrei dos verões na praia e como era bom aquele tempo. Me orgulhei das minhas viagens e minhas experiências pelo mundo mas também me senti mal por não ter estado mais tempo com minha família, com os que realmente importam. “Poxa vida, estou aqui morrendo, sozinha, sem ninguém ao meu lado”.

 

Eu estava muito fraca pra falar em inglês, mas tentei perguntar ao médico e enfermeiras quanto tempo levaria, mas não consegui. Aquela noite foi péssima, eu ainda estava lá, e dessa vez tinha sido enviada para uma UTI lotada de pessoas com todos os tipos de doenças. Naquela sala não consegui descansar, ainda me tremia muito, apesar dos 5 cobertores que colocaram sobre mim e de todos os medicamentos que já tinham me dado, minha febre estava altíssima.

 

Fui mandada para uma salinha reservada. Acho que já era de manhã, me deram comida e percebi que ia continuar viva por mais um tempo aparentemente. De repente uma das enfermeiras me chega com um telefone sem fio e disse que minha mãe estava na linha. Oras?? Como assim minha mãe no telefone do hospital, estou delirando?? Nossa! Ouvir a voz dela, do resto da família e sentir o amor, a preocupação não teve preço. A distância nos afasta é faz com que não sintamos isso por tanto tempo que até nos acostumamos às vezes. Me senti forte de novo é não queria morrer, aquela ligação me fortaleceu para lutar de novo.

 

Minha família soube da minha condição porque quando estava em casa me tremendo mandei audio pra minha amiga e médica. Ela entrou em contato com minha irmã e assim todos souberam que eu não estava bem. Como já era muito tarde, Glória tinha ido dormir e não tinha mandado mensagens para minha família ainda. Então meu irmão resolveu ligar para todos os hospitais de Cingapura até que me encontraram! Família é tudo, e vale ouro!

 

Depois disso não lembro bem, mas sei que acordei em um quarto e algumas pessoas me perguntaram: “você sabe onde está?”, e eu não sabia, não conseguia lembrar. A essa altura a equipe médica ainda não sabia o que eu tinha, estavam fazendo exames. Fiz exames de tudo, inclusive tomografia. Eu ainda me tremia muito e precisava de diversos cobertores. Uma hora os enfermeiros tiveram que me “apagar” porque eu estava muito agitada com o tremelique. Só sei que acordei com minhas pernas  e braços amarrados, completamente imobilizada, e sozinha.

 

 

Entre um exame e outro certa vez me levaram pela passarela que conecta os dois prédios do hospital, pela primeira vez em muitos dias eu vi a luz do sol, o céu e as árvores. Então eu chorei. Nossa, pensei que fosse morrer, me preparei pra isso e achei que nunca mais veria a natureza. Aquele momento foi mágico.

 

 

Depois descobriram o que eu tinha: Infecção nos rins causada por uma infecção urinária não tratada. Eu lembro que tive infecção urinária 15 dias antes de ir para o hospital, mas como passou rápido relevei e estava “boa”. Mas a bactéria subiu até meus rins, que estavam cheios de pus e causando todos aqueles sintomas. Depois liberada do hospital continuei tomando diariamente 1 hora de antibiótico na veia por 1 mês. Eu tinha uma válvula conectada a meu braço e uma linha por dentro que ia até o coração, então o antibiótico quando ministrado ia até lá também. (me desculpem, sou leiga, não sei descrever especificamente).

 

 

 

(Fotos da válvula que tinha no meu braço, da bomba que injetava o antibiótico todos os dias (bola), e da linha azul que estava dentro de mim conectada à essa válvula.)

 

O que tive foi bem grave, poderia sim ter morrido se não tivesse chegado há tempo no hospital. Eu poderia ter evitado tudo isso se tivesse mais disciplina. Com esse texto quis mostrar como é ruim em situações como essas você estar sozinho, mas também quero fazer um alerta para todas as mulheres: ao menor sinal de alteração da função renal, vá ao médico. não adianta só beber mais água, você tem que ir ao médico e tomar antibiótico para eliminar a bactéria. Outros cuidados que você pode ter no dia a dia para evitar infecção urinária estão listados aqui nesse link!

Que essa experiência e esse relato sirvam para alertar às mulheres dos perigos que “uma simples infecção urinária” pode trazer.

 

 

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Morando na Austrália como estudante

A opção mais fácil para a maioria dos Brasileiros quando querem vir pra Austrália é tirar um Visto de Estudante. Existem vários tipos de cursos que a pessoa pode estudar aqui, mas, o maior problema com a maioria dos vistos de estudante é sem dúvida a limitação para trabalho: apenas 40h por quinzena. Essa condição nos deixa em uma situação mais complicada aqui na terra dos cangurus, e vou explicar nesse post os principais aspectos relacionados a viver na Austrália como estudante.

 

 

Acomodação: os valores de imóveis em Sydney são absurdamente altos. É lógico que os estudantes não vão adquirir imóveis mas, isso faz com que o valor do aluguel também seja bastante caro. Para alugar um apartamento tipo studio nas proximidades do centro de Sydney ou perto das praias, a pessoa tem que desembolsar cerca de AUD 600 ou até mais semanalmente. Aqui é muito comum a cultura de dividir apartamento com outras pessoas, e para alugar um quarto só para você em uma apartamento dividido fica em torno de AUD 400 por semana nessas localidades. Como o orçamento de estudante é geralmente apertado, aqui divide-se quarto. Sim, em cada quarto ficam alojados 2, 3 ou até 4 estudantes e cada um paga um valor semanal que pode variar em média entre AUD 190 e AUD 250 dependendo da localização e condições do apartamento/ casa onde moram. Essa opção faz com que os estudantes façam amizade rapidamente com os “flatmates” (colegas de apartamento) o que se torna bem conveniente. O valores são mais baixos se você não está em Sydney por exemplo. Adelaide no Sul da Austrália oferece acomodação com preço bem melhor, assim como Brisbane e Gold Coast.

 

Emprego: Com as limitações de trabalho impostas nas condições do visto, as oportunidades de trabalho serão reduzidas. Não é tão fácil encontrar emprego de meio período em escritórios para trabalhar em empregos executivos, então a maior parte dos estudantes termina trabalhando com empregos que aceitam funcionários em meio periodo: restaurantes, lojas, empresas de limpeza, obras, casa de família, e outros. É claro que cada um tem uma sorte diferente e as opções são ilimitadas.

 

Transporte Público: Sydney e outras cidades da Austrália são bem servidas por ônibus e trens de boa qualidade. Existem diversos aplicativos para celular que mostram os horários exatos de todas as linhas. Em Sydney o valor de transporte público não é muito barato e vai terminar usando uma considerável parte do orçamento do estudante. Estudantes Internacionais não conseguem desconto vantajoso nas passagens, infelizmente. As tarifas de trem e ônibus variam de acordo com o horário utilizado é também com a distância percorrida.

 

Shopping – Na Austrália tem opções para todos os gostos e todos os bolsos. É claro que no caso do estudante estamos focando em budget, então aqui vai a dica: na Austrália existem várias lojas de roupas e objetos usados, ou semi novos. As pessoas doam quando não usam mais, e essas lojas vendem é todo seu lucro é revertido para caridade (encontrar pessoas desaparecidas por exemplo). As maiores são a Salvos é a Vinnies, que estão em todos os bairros é sempre tem ótimas opções. Assim fica mais fácil para o estudante ir às compras sem gastar tanto.

 

Lazer – a Austrália é sem dúvida um país lindo, e grande parte das atividades de lazer pode ser feita de graça! Visitar uma praia ou fazer uma trilha nas montanhas não custa nada além do transporte é oferece horas de diversão. Também existem diversos festivais e eventos oferecidos gratuitamente pelo governo que sempre estão lotados é todos podem aproveitar sem gastar um centavo!

 

O estudante tem que pagar pelo curso, pagar para renovar o visto se tiver interesse, e só tem direito a trabalhar por meio período, isso faz com que precise procurar alternativas mais econômicas em vários aspectos da vida. Na Austrália apesar do alto custo de vida [é possível se virar bem nessa condição é ainda ter uma ótima qualidade de vida!

 

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Destinos secretos: a Rota dos Jardins na África do Sul

Já pensou em fazer uma viagem de carro e descobrir as belezas mais secretas da África do Sul? Continuando nossa série de dicas sobre a África, vamos viajar agora partindo de Cape Town e seguindo pela belíssima Rota dos Jardins (Garden Route). Essa Rota se extende de Cape Town até Porto Elisabete, ao longo de vários quilômetros de estrada encontramos pequenas cidades, algumas à beira mar outras mais afastadas da orla, mas todas repletas de simplicidade, beleza e atrações turísticas.

 

CAPE L’AGULHAS

É o ponto mais a sul de toda África, também é onde os oceanos Índico e Atlântico se encontram. Uma cidadezinha pequena bem aconchegante com paisagens belíssimas do encontro dos oceanos é uma para que não pode faltar no seu roteiro.

 

 

MOSSEL BAY

Esse destino é conhecido por ser ponto de partida para mergulhadores que desejem ver tubarões brancos. Diversos barcos partem diariamente de Mossel bay para as áreas onde vivem as focas (presas comuns de tubarões). Os mergulhadores entram em jaulas é assim podem ver os tubarões branco se aproximando do barco, com certeza uma aventura.

 

 

KNYSNA

Cidade pequena com apenas 76.500 habitantes, é um destino muito procurado pelo turista Africano e também estrangeiros, sua população chega a triplicar nos períodos de alta estação.

A cidade oferece grande beleza natural como a lagoa que contorna a cidade e a floresta que possui mais de 3100 km de área onde se pode desfrutar de excelentes passeios.

 

 

Knysna Elephant Park – Parque de animais onde o visitante pode alimentar elefantes interagindo diretamente com os gigantes.

Valor $ 290 rands

 

Há também o famoso festival da OSTRA, que atrai normalmente muitos turistas acontece anualmente do dia 7 ao dia 16 de junho .

 

 

OUDTSHOORN

Diferente de Knysna, não está no litoral é fica a 55 km distante da orla, em uma região onde o grande destaque são as fazendas de avestruz, e o visitante pode se divertir alimentando até mesmo montando os animais .

 

Além das fazendas de avestruz no mesmo percurso encontramos Cango Wildlife Ranch, uma espécie de zoológico repleto de animais com várias formas de interação .

 

Cango Caves

Cavernas Cango: sua formação teve início há mais de 2 milhões de anos. Nos primórdios essas cavernas eram habitadas, por volta de 80 mil anos atrás, mas só foi redescoberta 1780, por alemães desbravadores. Essa é a gruta mais visitada da África. É um enorme complexo de cavernas é o passeio é bem bonito, vale a pena desbravar.

Valor do bilhete $100,00 rands uma hora

 

Vale muito a pena sair de carro de Cape Town e desbravar a Rota dos Jardins por alguns dias. Você vai ter as paisagens mais lindas e ter memórias para sempre dessa área tão especial.

 

Essa coluna aqui no blog é chamada “Dicas da Vilma” e vou sempre estar dando as melhores dicas de roteiros para que vocês possam ter viagens inesquecíveis.

Obrigada por curtir!
Vilma Loureiro

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email: vilma@saidobrasil.com

 

 

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