A realidade sobre “sub emprego” na Austrália

Como acontece normalmente com a maioria dos brasileiros que vão para o exterior, na Austrália não seria diferente. Seja por limitações no visto, dificuldade de fluência na língua, ou não reconhecimento da profissão no país escolhido, muitos brasileiros vão ter que recorrer a sub emprego para se sustentar por um tempo enquanto estiverem no exterior.

Esclarecimento: o termo sub emprego aqui esta sendo utilizado apenas para descrever melhor a intenção do texto, e porque é a maneira como grande numero de brasileiros no exterior nomeia empregos em certas areas de atuação.

Oficialmente o termo sub emprego se aplica apenas para empregos nao legalizados.

 

Viver o sonho do exterior pode não ser tão fácil ou simples assim. Seja qual for o motivo que leva cada pessoa a sair do seu país para viver longe de sua família em um local novo e com tantos desafios, na maioria dos casos isso requer bastante dedicação.

 

É como é essa realidade na Austrália?

 

Bem, aqui na Terra do Canguru não é diferente. Muitos brasileiros chegam sem falar um nível razoável de inglês é por isso têm que apelar para o sub emprego inicialmente. Os sub empregos mais comuns que vemos por aqui para os brazucas são: ajudante de obra, babá , garçom/ garçonete, lavador de pratos, entregador de comida (pizza, deliveroo, etc), motoristas, faxineiros(as), Traffic controller,  bartender, e uma série de outros trabalhos que não exigem muito se comunicar em inglês fluente.

 

Vários outros brasileiros optam por oferecer serviços com foco na comunidade brasileira como: fabricação de marmitas, manicure, cabeleireiro, confecção de bolos, doces e salgados, e tantos outros, tão diferentes do antigo trabalho que tinham antes de migrar ou vir para intercâmbio.

 

Mas qual o problema de ter sub emprego? Aqui vai a melhor notícia! Aqui na Australia nenhum! Para começo de conversa aqui eles nem chamam de sub emprego, são empregos normais, mas vou continuar usando o termo sub emprego nesse texto apenas para ficar mais claro. O salário mínimo aqui é de AUD 17.70 por hora, o que permite às pessoas em qualquer profissão tenham uma qualidade de vida razoável. Não só apenas os estrangeiros que recorrem ao sub emprego na Austrália, os locais também o fazem. Muitos dos australianos estão felizes com a vida simples deles é não fazem questão em ter um emprego em escritório, estão felizes com os sub empregos, trabalhos em fazendas, vinícolas, ou sendo tradies: mecânico, encanador, eletricista etc. Eles simplesmente não ligam e não julgam ninguém pela sua profissão. No Brasil temos uma visão bem diferente da deles. No meu caso por exemplo, eu fui quem colocou a maior barreira em mim mesma antes de ser garçonete ou faxineira. O preconceito e o problema estavam em mim, e não no resto das pessoas.

 

O sub emprego pode ser mais braçal do que um emprego em escritório, é claro, mas não é pior por causa disso. Vai exigir mais esforço físico, mas é tão honrável quanto qualquer outro emprego. Muitos brasileiros ganham até melhor em sub empregos aqui do que ganhavam com seus empregos no Brasil, e também mais do que muitos outros trabalhos aqui na Austrália. Minha família também demorou pra entender que eu não estava mal porque estava sendo garçonete ou faxineira, eu estava bem!

A boa notícia é que não há do que envergonhar, se você tiver que ou optar por trabalhar com sub emprego pode se orgulhar que não vai ter problema nenhum. O mais importante é que o sub emprego na Austrália te dá a condição de ter uma qualidade de vida muito boa, é vale muito a pena contanto que você esteja feliz!

 

Esse texto reflete as opiniões da autora apenas, baseado em sua própria experiência.

 

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Opções de trabalho para estudantes na Austrália

Um dos vistos mais comuns que brasileiros conseguem para vir para a Austrália é o visto de Estudante. É um visto temporário que dura aproximadamente o mesmo que o tempo do curso e, na maioria dos casos, possui limitação para trabalho. Nessa condição o estudante pode trabalhar apenas 40h por quinzena enquanto estiver em aulas, o que limita muito suas possibilidades.

Sala de aula

Quando cheguei na Australia me deparei com a dificuldade que é conseguir um emprego de meio período. Quando o saldo bancário começou a diminuir tive que me virar. Vi que era difícil conseguir emprego na área que sempre trabalhei (suprimentos) pois as empresas normalmente precisam de profissionais em tempo integral, então tive que variar. Comecei procurando vaga para assistente administrativo mas novamente não tive sorte. Depois comecei a distribuir currículo em lojas para ser vendedora, e mais uma vez nada, pois era perto da época de Natal e as lojas precisavam de pessoas para trabalhar mais de 20h por semana. Estava desesperada e pensei: restaurante brasileiro, porque nao? Então entreguei meu currículo pessoalmente ao gerente (também brasileiro) no restaurante que perguntou se eu tinha experiência. eu disse: “não, mas posso aprender”. Uma semana depois comecei como runner (so levando os pratos para as mesas, sem pegar os pedidos dos clientes) e em menos de um mês fui promovida a garçonete.

Uniforme do restaurante (e a cara de cansada da jornada)

Mas o restaurante não tinha demanda suficiente para que eu trabalhasse 20h por semana, e o dinheiro não era suficiente. Tive que apelar para o único emprego que jurei de pés juntos que nunca faria: faxineira. Me cadastrei no site da Helpling, comprei todo meu material de limpeza, e lá fui eu. Limpar casas foi traumatizante e eu chorava depois de cada trabalho, sentia pena de mim mesma e me perguntava se aquilo valia a pena. Mas quando o dinheiro caia na conta eu só queria era limpar mais casas. Depois de um tempo eu preferi as faxinas ao restaurante, pois nas faxinas não tinha chefe gritando comigo e pagava melhor.

A caminho de mais uma faxina no trem!

Bem, depois de uns 4 meses no restaurante e 2 nas faxinas eu finalmente consegui um emprego de meio período em uma empresa australiana no tão badalado centro comercial de Sydney. Fui contratada para trabalhar 20h por semana durante as aulas e 40h durante minhas férias, e claro, com salário bem melhor do que o restaurante ou as faxinas pagavam. Nesse post dou dicas pra conseguir emprego no exterior.

Contei minha experiência para ilustrar como é a real situação de um estudante na Austrália. Agora deixa eu explicar como a maioria dos brasileiros faz por aqui: dependendo do seu nível de inglês você vai ter mais ou menos chances.

  • Se você não tem um inglês muito bom vai no início provavelmente conseguir emprego com faxinas, lavando pratos em restaurantes, pegando no pesado em canteiros de obra, motorista, runners, babá, trabalhos em eventos, e outros empregos que não exigem tanto falar em inglês formalmente e que aceitam profissionais em meio período.
  • Se seu inglês é um pouco melhor você vai ter mais oportunidades e conseguir trabalhos que paguem melhor: garçom/garçonete, vendedor(a), atendente, auxiliar de escritório, vários outros e até o tão sonhado emprego na mesma área de atuação que você tinha no Brasil.
  • Muita gente inventa, se reinventa e começa a oferecer serviços a outros brasileiros e também a estrangeiros, vendem produtos que trouxeram do Brasil, dão aula de inglês particular, e por aí vai. Vale a criatividade e as opções são inúmeras. Outros se identificam com a nova área de trabalho em que estão e terminam mudando o foco de suas carreiras.

Essa condicao não é facil, é necessário muita motivação e empenho. Várias vezes vemos no facebook desabafos de brasileiros cansados dessa situação, se perguntando se realmente é isso o que querem.

Nada disso que estou falando é regra, estou só generalizando para mostrar as situação da maioria. Infelizmente as condições do visto de estudante nos limita bastante, e é frustrante não poder competir de igual para igual com outros profissionais, muitas vezes temos que aceitar salários baixos e agradecer por ter um emprego. A maior parte das empresas precisa de funcionários em tempo integral e isso nos força a ir buscar outras possibilidades que se encaixem nas condições do visto.

“Sou brasileiro e não desisto nunca” é uma frase que se aplica perfeitamente a todos nós aqui na Austrália. Todos focamos no objetivo maior que é a imigração e a recompensa que poderemos ter no futuro.

 

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Dicas infalíveis para conseguir emprego no exterior (na sua área de atuação)

Aqui vou dar algumas dicas que serviram muito bem pra mim. Consegui emprego na Coreia do Sul, em Singapura e na Austrália (mesmo com visto de estudante, podendo só trabalhar meio período). Essas não são regras gerais, mas sim o que vi que funciona, funcionou comigo e com pessoas que conheço. Tá tudo explicadinho no video abaixo:

Não se preocupe, não vou sugerir que você vá nos sites de busca de vagas dos países e aplique uma por uma, pode ficar tranquilo!

1 – Visto: Primeiro de tudo você tem que ver se o país que você quer trabalhar oferece visto de trabalho pra estrangeiros na sua área de atuação. a Austrália por exemplo tem listas de ocupações e as empresas só podem dar visto a pessoas que se encaixam naquelas profissões. Pesquise bem antes de começar a busca.

 

2 – Língua: Se você estiver tentando emprego em um país onde a língua principal é o inglês, sugiro que você domine bem o idioma. O mundo de negócios tem um ritmo acelerado e ninguém vai querer ficar explicando a mesma coisa várias vezes pra o funcionário estrangeiro conseguir entender. Infelizmente é a realidade. Você precisa mergulhar no idioma. A partir de agora, comece já: quando ouvir músicas, pega a letra da música e tenta entender o que estão cantando, assiste a filmes com legendas em inglês em vez de português. Assim você vai ouvir e entender o que está sendo dito, e melhorar sua compreensão.

Se você está tentando emprego em país que não fala inglês oficialmente, a exigência da fluência na língua nativa pode ser menor, pois grandes empresas poderão se comunicar com você em inglês. Nesse caso sugiro que você procure emprego em empresas que têm negócios com o Brasil, assim sua fluência no português vai ser um atrativo para a empresa e é uma vantagem. Claro que se você dominar a língua desse país vai ajudar bastante! Eu trabalhei na Coreia sem falar 1 palavra em Coreano, falava inglês na empresa e lidava com clientes brasileiros e para eles era ótimo pois eu expandi o alcance da empresa deles.

 

3 – Currículo: Primeiro você vai ter que ter um currículo claro e organizado. Coloque as experiências relevantes a área de atuação para qual você vai procurar emprego (se você trabalhar com logística, não precisa colocar sua experiência como garçonete por exemplo, isso pode confundir a pessoa que está lendo seu currículo e fazer você perder credibilidade como um bom profissional de logística). Se precisar crie mais de um modelo de currículo, cada um específico para uma vaga diferente. Escreva em tópicos, se criar grandes parágrafos ninguém vai ter tempo de ler. Por favor revise dez vezes se necessário, mas garanta que não vai ter nenhum erro de digitação, gramática, concordância etc. Se tiver, pode queimar seu filme e fazer você perder a chance. Coloque foto. Não precisa ser foto formal de documento, mas também não vá colocar foto na balada, ou vestido de maneira não apresentável. Seja razoável.

 

4 – Contatos: Esse é o mais importante de todos. Crie seu perfil no site Linkedin (e outros do tipo). Vou usar meu caso como exemplo: queria emprego na área de compras em Singapura. Fiz uma busca e comecei a adicionar pessoas que trabalham na área de compras, principalmente gerentes e diretores. Também adicionei bastante CEOs de empresas e também pessoas que trabalham em empresas de recrutamento. Você pode ter a sorte de adicionar alguém que está a procura de uma pessoa com seu perfil. Prepare mensagens personalizadas pra cada uma dessas pessoas:

 “Oi fulana, sou Cicrana, obrigada por me adicionar…. eu sou brasileira e falo 3 idiomas… tenho bastante experiência com compras e acredito que poderia ser uma otima opcão para sua empresa chamada ABCD por causa disso e daquilo… bla bla … Se você não puder me ajudar, você poderia me indicar quem possa?….. Obrigada”.

Esse é só um exemplo. Procure também por empresas que fazem negócios com o brasil, isso vai aumentar suas chances. acredito que sites como esse são a melhor maneira de entrar em contato com quem pode te ajudar. Eu além de empregos consegui amigos com o Linkedin, pessoas que não tinham emprego para oferecer mas que cederam seu tempo pra mim e me mostraram a melhor direção.

Esses contatos poderão te fazer chegar até as pessoas certas. Podem te chamar pra entrevistas ou para um bate papo, e as oportunidades são varias. Se você der 1000 tiros a chance de 1 atingir o alvo é bem grande, e você só precisa de 1 emprego mesmo! 🙂

 

5 – Localização: Triste realidade, suas chances aumentam em 100% se você estiver no país no qual está tentando conseguir emprego. Se você tem a chance de visitar as empresas, e estar disponível para entrevistas em pessoa, claro que é mais fácil. E lógico que também há chances se você estiver no Brasil, mas precisa encontrar empresas que estão dispostas a te entrevistar por skype a distância, e nem todas estão.

 

6 – Documentos: Não perca tempo e já traduza seus diplomas (ou outros documentos relevantes), vai ajudar bastante quando conseguir o emprego e precisar aplicar visto, agilizando o processo.

 

Tá esperando o que? Capricha no currículo, faz sua pesquisa, mergulha na língua e boa sorte! Nos vemos mundo afora!

 

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