Como fui morar fora do Brasil – Parte 2

 

No texto anterior (aqui) expliquei como fui para a Coreia do Sul, nesse eu vou contar o que aconteceu quando resolvi não renovar meu contrato de trabalho com a empresa que me empregava lá em Busan e por que eu nao voltei pro Brasil, inclusive todo o drama e incertezas de uma fase nada fácil.

Em 2013 eu estava morando e trabalhando na Coreia e fui para a África visitar minha mãe. Eu já andava um pouco desanimada com meu emprego e possibilidades de carreira na Coreia, quando estava na África decidi que se nao desse certo onde eu estava, eu iria para a África do Sul, onde já tinha conhecido algumas pessoas e já teria inclusive lugar para morar caso me mudasse.

 

Na Africa, decidindo minha vida!

 

Em Dezembro terminei meu trabalho na empresa coreana e fui viajar pela Ásia por 1 mês. para descansar. Deixei minhas malas na casa de uma amiga na Coreia e lá fui eu. Esse 1 mês foi o suficiente para me fazer desistir da África do Sul. Pensei que a moeda de lá não é tão valorizada, então não seria fácil juntar dinheiro pra viajar, visitar a família, e também que é um país de terceiro mundo, que infelizmente tem problemas de segurança como um país de terceiro mundo tem, e eu poderia ter mais chances em algum outro lugar. Então esse meu 1 mês de férias chegou ao fim, estava em Phuket na Tailândia pronta pra fazer o check in e pegar meu voo de volta para a Coreia. Aquelas poucas horas mudaram minha vida e meu destino completamente. Resolvi não pegar o voo, e ficar mais um tempo pela Tailândia, tentar a sorte trabalhando como voluntária (e ganhando acomodação em troca). Dormi no chão do aeroporto mesmo, esperando pra pegar um ônibus no dia seguinte.

 

Eu simplesmente tinha entrado em pânico: se eu não vou mais pra África, o que vou fazer quando chegar de volta na Coreia? Voltar pro Brasil? Naquele momento percebi que tudo o que eu tinha vivido e aprendido nos 3 anos de Coreia tinham me mudado para sempre. Não  consegui mais me ver voltando pro Brasil, pra minha terra, pra minha família. Eu mudei e me tornei outra pessoa, eu não consigo nem explicar o quanto minhas experiências me modificaram e o quanto minha maneira de pensar, e viver também se transformaram. Aquela foi a primeira vez que estive sozinha e sem rumo. Tinha um dinheirinho na poupança e só. Nunca tinho sido viajante, sempre fui trabalhadora e me julgava um pouco velha (30 anos) pra encarar um mochilão. Mas lá fui eu, era o que tinha, eu precisava re-organizar minhas ideias e decidir o que fazer da vida, já que voltar pro Brasil naquela época era o meu pior pesadelo.

Ah, a Tailandia….

 

Depois de uns dias perambulando pela Tailândia encontrei um albergue que precisava de voluntários, fui parar em Koh Lanta, uma pequena ilha. O albergue era bem simples, estilo casa na árvore, com um estilo bem hippie, ou seja, tudo o que eu não era. Os mochileiros que se hospedavam lá eram os mais desencanados do mundo, músicos, artistas e nômades (mais uma vez, tudo o que eu não era). Mas me encantei. Me apaixonei pela vida simples. Eu estava com 30 anos e tinha passado meus últimos 10 anos trabalhando das 8 às 6 sentada em frente a um computador ganhando dinheiro pra pagar contas. Amava trabalhar com pessoas, de pés descalços, ir para a praia quando eu quisesse e ver o pôr do sol. 

 

Meus colegas de Albergue

 

Era uma vida maravilhosa, porém irreal, já que em algum momento a poupança acabaria. Estava há 6 semanas nesse albergue até que percebi que precisava sair de lá. Aquela vida simples estava me dando as melhores experiências da minha vida, porém estava me atrasando, durante todo o tempo que estive lá, nunca sequer peguei o computador para procurar emprego ou pensar pra onde ir. Lembrei de uma amiga indiana que conheci no Vietnã. Ela sempre me convidava para ir pra casa dela na Malásia, então eu resolvi ir. Seriam 2 semanas pra eu me “desintoxicar” da Tailândia e me mudar de vez pra algum lugar. Ela morava em Johor Bahru, uma cidadezinha na Malásia que é vizinha a Cingapura. Depois de visitar Cingapura algumas vezes com essa amiga, finalmente resolvi: quero morar aqui! Terminei ficando 5 semanas na casa dela, me organizando para ir para Cingapura. Um belo dia simplesmente fui!

 

O dia exato que fui pra Cingapura

 

Cheguei no meu novo país com minhas mochilas nas costas é consegui alugar um quarto num apartamento compartilhado. O aluguel era mensal, então era seguro para mim. Usei essa estratégia aqui, e foquei pesado para conseguir um emprego. Menos de 2 meses depois fui empregada por uma multinacional enorme, e consegui um visto de trabalho que me permitia ficar em Cingapura. Foi um alívio, depois de tanto tempo ter um emprego de novo, a primeira coisa que fiz foi voltar pra Coreia para buscar minhas malas que ficaram 6 meses na casa da minha amiga, e também consegui adiar o início do meu contrato em 1 semana, é fui visitar minha família no Brasil, que não via há muito tempo.

Minha experiência em Cingapura eu defino como “acordei com o pé esquerdo todos os dias”, mas isso é assunto pra outro post, em outra hora!!

 

Perguntas e sugestões? Pode mandar!

Gostou o texto? Compartilhe clicando nos botões abaixo!

Opções de trabalho para estudantes na Austrália

Um dos vistos mais comuns que brasileiros conseguem para vir para a Austrália é o visto de Estudante. É um visto temporário que dura aproximadamente o mesmo que o tempo do curso e, na maioria dos casos, possui limitação para trabalho. Nessa condição o estudante pode trabalhar apenas 40h por quinzena enquanto estiver em aulas, o que limita muito suas possibilidades.

Sala de aula

Quando cheguei na Australia me deparei com a dificuldade que é conseguir um emprego de meio período. Quando o saldo bancário começou a diminuir tive que me virar. Vi que era difícil conseguir emprego na área que sempre trabalhei (suprimentos) pois as empresas normalmente precisam de profissionais em tempo integral, então tive que variar. Comecei procurando vaga para assistente administrativo mas novamente não tive sorte. Depois comecei a distribuir currículo em lojas para ser vendedora, e mais uma vez nada, pois era perto da época de Natal e as lojas precisavam de pessoas para trabalhar mais de 20h por semana. Estava desesperada e pensei: restaurante brasileiro, porque nao? Então entreguei meu currículo pessoalmente ao gerente (também brasileiro) no restaurante que perguntou se eu tinha experiência. eu disse: “não, mas posso aprender”. Uma semana depois comecei como runner (so levando os pratos para as mesas, sem pegar os pedidos dos clientes) e em menos de um mês fui promovida a garçonete.

Uniforme do restaurante (e a cara de cansada da jornada)

Mas o restaurante não tinha demanda suficiente para que eu trabalhasse 20h por semana, e o dinheiro não era suficiente. Tive que apelar para o único emprego que jurei de pés juntos que nunca faria: faxineira. Me cadastrei no site da Helpling, comprei todo meu material de limpeza, e lá fui eu. Limpar casas foi traumatizante e eu chorava depois de cada trabalho, sentia pena de mim mesma e me perguntava se aquilo valia a pena. Mas quando o dinheiro caia na conta eu só queria era limpar mais casas. Depois de um tempo eu preferi as faxinas ao restaurante, pois nas faxinas não tinha chefe gritando comigo e pagava melhor.

A caminho de mais uma faxina no trem!

Bem, depois de uns 4 meses no restaurante e 2 nas faxinas eu finalmente consegui um emprego de meio período em uma empresa australiana no tão badalado centro comercial de Sydney. Fui contratada para trabalhar 20h por semana durante as aulas e 40h durante minhas férias, e claro, com salário bem melhor do que o restaurante ou as faxinas pagavam. Nesse post dou dicas pra conseguir emprego no exterior.

Contei minha experiência para ilustrar como é a real situação de um estudante na Austrália. Agora deixa eu explicar como a maioria dos brasileiros faz por aqui: dependendo do seu nível de inglês você vai ter mais ou menos chances.

  • Se você não tem um inglês muito bom vai no início provavelmente conseguir emprego com faxinas, lavando pratos em restaurantes, pegando no pesado em canteiros de obra, motorista, runners, babá, trabalhos em eventos, e outros empregos que não exigem tanto falar em inglês formalmente e que aceitam profissionais em meio período.
  • Se seu inglês é um pouco melhor você vai ter mais oportunidades e conseguir trabalhos que paguem melhor: garçom/garçonete, vendedor(a), atendente, auxiliar de escritório, vários outros e até o tão sonhado emprego na mesma área de atuação que você tinha no Brasil.
  • Muita gente inventa, se reinventa e começa a oferecer serviços a outros brasileiros e também a estrangeiros, vendem produtos que trouxeram do Brasil, dão aula de inglês particular, e por aí vai. Vale a criatividade e as opções são inúmeras. Outros se identificam com a nova área de trabalho em que estão e terminam mudando o foco de suas carreiras.

Essa condicao não é facil, é necessário muita motivação e empenho. Várias vezes vemos no facebook desabafos de brasileiros cansados dessa situação, se perguntando se realmente é isso o que querem.

Nada disso que estou falando é regra, estou só generalizando para mostrar as situação da maioria. Infelizmente as condições do visto de estudante nos limita bastante, e é frustrante não poder competir de igual para igual com outros profissionais, muitas vezes temos que aceitar salários baixos e agradecer por ter um emprego. A maior parte das empresas precisa de funcionários em tempo integral e isso nos força a ir buscar outras possibilidades que se encaixem nas condições do visto.

“Sou brasileiro e não desisto nunca” é uma frase que se aplica perfeitamente a todos nós aqui na Austrália. Todos focamos no objetivo maior que é a imigração e a recompensa que poderemos ter no futuro.

 

Perguntas e sugestões? Pode mandar!

Gostou o texto? Compartilhe clicando nos botões abaixo!